SOBRE A POPULAÇÃO DE RUA EM SITUAÇÃO DE RISCO

A população em situação de rua, constituída por pessoas que não têm moradia, vive sob as marquises, viadutos e nas avenidas, pernoita em albergues, nos logradouros da cidade, em casas abandonadas, cemitérios, carcaças de veículos, terrenos baldios ou em depósitos de papelão e sucata, em situação de absoluta exclusão social. São pessoas carentes não só de recursos materiais, mas carentes de atenção, carinho e amor. Elas não existem para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Uma vez que não possuem casa, não participam de censos demográficos, embora estejam cada vez mais presentes nas ruas, no comércio e nos lugares públicos. Em 2003 a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), por meio de contrato com a Prefeitura de São Paulo, realizou contagem da população de rua, registrando 10.394 pessoas nessa situação. Desses, 6.186 foram localizados nas ruas e 4.208 em albergues. Em sua maioria são do sexo masculino (84%), não brancos (64%),de 41 a 55 anos de idade (35%).
Foram encontrados em todos os 96 distritos administrativos da cidade, predominando nos mais centrais e na região sudeste da cidade, onde o comércio e serviços se concentram, facilitando a obtenção de alimentos e recursos financeiros; em contrapartida, durante a noite esses locais são despovoados, transformando-se em abrigos. Apesar das diferentes causas possíveis para a rua ser adotada como lar, seus moradores partilham inúmeras características.

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São vítimas do desemprego, da falta de moradia, de fracassos pessoais, desamparo institucional, do aumento da miséria provocada pelo descaso e pela falta de vontade política. São pessoas para as quais algumas das instituições básicas da sociedade como propriedade privada e família deixaram de existir.
Além desses fatores, algumas pessoas também vão às ruas em decorrência de problemas mentais, abuso de drogas lícitas e ilícitas e/ou por vontade própria. E temos que respeitar o direito de gente que não quer sair da rua. Cada um tem seu nível de abandono, de violência e direito a escolhas.Há uma sistemática tentativa de esconder a população em situação de rua dando a falsa impressão de que o problema não existe.

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A ordem parece ser apenas retirar, impedir que pessoas fiquem na rua. Mas levá-las para onde? Há investimentos em moradias provisórias, em construção de melhores abrigos, programas de locação social e bolsa aluguel?Usuários da maioria dos albergues os comparam a cadeias, os consideram pior do que a própria rua - banho frio no inverno às 5 horas da manhã, violência e desrespeito.
Em vez de permitir que o desconforto seja escondido, a sociedade precisa, num esforço multidisciplinar, finalmente encará-lo, para, junto com a própria população de rua, apontar saídas e alternativas "A inclusão das pessoas em situação de rua depende, em grande parte, de uma transformação individual, mas também de uma mudança de atitude da sociedade, da mídia e dos governos."

A rua como palco de transformações" Marcio Seidenberg

Jornalista e colaborador da Organização Civil de Ação Social

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